O Indicador de Falências e Recuperações da Serasa Experian fechou 2025 com um número que o mercado já esperava — e outro que quase ninguém comentou. O esperado: 977 pedidos de recuperação judicial no ano, alta de 5,5% sobre 2024 e novo recorde da série. O pouco comentado: esses processos envolveram 2.466 empresas, um salto de 13%. A conta não fecha por acaso.
Um pedido, vários CNPJs
A diferença entre as duas curvas revela uma mudança de perfil. Cada vez mais, o pedido de recuperação chega ao Judiciário em litisconsórcio de grupo: holdings, operadoras e veículos imobiliários do mesmo conglomerado entram juntos. Para o credor, isso muda tudo — o quadro geral de credores fica mais complexo, a disputa por garantias cruzadas se intensifica e a leitura do plano exige enxergar o grupo, não a empresa isolada.
O estoque que alimenta o ciclo
Em janeiro de 2026, 8,7 milhões de empresas estavam negativadas, com dívida média de R$ 23,1 mil e cerca de sete restrições por CNPJ, segundo a mesma Serasa Experian. Historicamente, esse indicador antecede os movimentos de insolvência formal — o que sugere pressão contínua ao longo do ano. O primeiro trimestre de 2026 confirmou a tendência, com o maior volume de pedidos da série histórica para o período.
O que isso significa para quem detém crédito
- Velocidade importa. O credor que monitora a publicação do edital e habilita seu crédito no prazo participa da negociação; o que demora assiste de fora.
- Crédito contra grupo exige mapa societário. Saber qual CNPJ deve, qual garante e qual tem lastro passou a ser metade da análise.
- Recebível em RJ tem preço. Esperar o plano pagar em oito anos é uma escolha — vender o crédito com deságio e realocar o capital é outra. As duas precisam ser comparadas com número, não com intuição.
A MA7 acompanha o ciclo de insolvência de ponta a ponta — da leitura do quadro de credores à aquisição de créditos habilitados. Se a sua empresa carrega recebíveis presos em recuperação judicial, converse com a nossa equipe.