O orçamento federal de 2026 reserva R$ 69,7 bilhões para o pagamento de precatórios — 164 mil títulos, 270 mil beneficiários, referentes às dívidas inscritas até abril de 2025. É o maior volume da série, e chega num momento em que o mercado secundário desses créditos passa pela sua maior transformação em anos.
Um mercado que amadurece à vista
Dois movimentos recentes dão o tom. Em junho, a AGU publicou a Portaria Normativa 225, obrigando a comunicação eletrônica de toda cessão de precatório contra a União, autarquias e fundações — um passo objetivo de formalização de um mercado que operava com pouca visibilidade. No mesmo mês, o TJ-SP abriu o edital de acordos diretos de 2026: credores do Estado de São Paulo podem antecipar o recebimento aceitando deságio de 40%, com adesão entre junho e setembro.
O termômetro do deságio
No mercado privado, precatórios federais têm sido negociados, em média, entre 50% e 70% do valor de face — deságio de 30% a 50%, variando com a natureza do crédito (alimentar ou comum), a posição na fila e o custo de capital do comprador. O acordo público a 60% do valor, como o paulista, funciona como referência: se o ente oferece 40% de desconto para pagar agora, o preço privado de um crédito equivalente não deveria estar longe dessa vizinhança — ajustado pelo prazo real de cada fila.
Três perguntas antes de ceder o seu
- Qual é a fila? Federal com orçamento reforçado é um mundo; município com estoque acima de 85% da RCL é outro.
- Qual é a natureza? Créditos alimentares têm preferência constitucional — e a EC 136/2025 ampliou o próprio conceito de débito alimentar.
- A proposta está fundamentada? Deságio sério vem com memória de cálculo: correção pelo novo regime, prazo estimado e custo de oportunidade explícitos.
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