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O agro virou o epicentro da reestruturação — e isso muda o mapa de ativos no Brasil
Reestruturação & Recuperação Judicial

O agro virou o epicentro da reestruturação — e isso muda o mapa de ativos no Brasil

Pedidos de RJ no campo quase quadruplicaram em dois anos e R$ 256 bilhões do crédito rural já são considerados problemáticos. O Provimento 216/2026 do CNJ chega para organizar a fila.

09/06/2026

Durante duas décadas, o agronegócio foi tratado como o setor blindado da economia brasileira. Os números de 2026 contam outra história. Os pedidos de recuperação judicial ligados ao campo saltaram de 534 em 2023 para 1.272 em 2024 e 1.990 em 2025 — e o primeiro trimestre deste ano manteve a escalada, com destaque para o Centro-Oeste e alta de 36% em doze meses no Mato Grosso.

A tempestade que se formou

O diagnóstico se repete nas assembleias de credores: juros altos por mais tempo do que qualquer planilha de custeio previa, insumo caro na compra e commodity barata na venda, margens comprimidas por duas ou três safras seguidas. Levantamento da Frente Parlamentar da Agropecuária estima que cerca de R$ 256 bilhões da carteira de crédito rural já são considerados problemáticos — dentro de um estoque de aproximadamente R$ 1,2 trilhão.

O novo rito do produtor rural

A resposta institucional veio em março: o Provimento 216/2026 do CNJ estabeleceu diretrizes nacionais para a recuperação judicial e a falência do produtor rural pessoa física, padronizando o que cada tribunal fazia à sua maneira. Na prática, o provimento reduz a insegurança sobre quem pode pedir RJ com base em quanto tempo de atividade comprovada — e tende a acelerar a formalização de pedidos que estavam represados.

Crise para uns, mercado para outros

Todo ciclo de reestruturação produz ativos deslocados do preço: recebíveis do agro com garantia real negociados com deságio, fazendas e maquinário em alienação, créditos de fornecedores contra grupos em RJ. O comprador que entende de matrícula rural, CPR e penhor agrícola encontra hoje um cardápio que não existia há três anos — mas a análise exige rigor dobrado, porque a garantia vale o que a documentação sustenta.

No agro, o ativo certo com a papelada errada é só paisagem. A tese começa na due diligence documental.

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