O mercado brasileiro de cessão de créditos não performados (NPLs) deve movimentar R$ 52,3 bilhões em 2026, crescimento de 73% sobre os R$ 30,2 bilhões cedidos em 2025, segundo estudo da Deloitte para o ciclo 2025/2026. Só no primeiro trimestre, a projeção aponta cerca de R$ 15 bilhões em carteiras trocando de mãos.
De nicho a engrenagem do sistema
Por trás do número há uma mudança estrutural. A venda de carteira vencida deixou de ser um movimento defensivo de grandes bancos em fim de ano e virou ferramenta recorrente de gestão de balanço — inclusive para bancos médios, financeiras, fintechs e empresas não financeiras. O mesmo estudo aponta a expectativa de pelo menos 15 novos cedentes entrando no mercado em 2026, diversificando a origem das carteiras.
Por que agora
- Juros altos encarecem carregar inadimplência. Provisão consome capital; ceder a carteira libera balanço para originar crédito novo.
- O comprador se profissionalizou. Servicers, gestoras especializadas e plataformas com dados de recuperabilidade elevaram a régua da precificação.
- A régua regulatória subiu. Resoluções recentes empurram instituições a reconhecer perdas mais cedo — e a decidir mais rápido o destino do ativo problemático.
O sinal amarelo do próprio estudo
Nem tudo flui: 51% das empresas consultadas não concluíram operações de cessão por desalinhamento entre o preço esperado e o valor ofertado. O gap entre a marcação contábil do vendedor e a conta de recuperação do comprador segue sendo o maior obstáculo do mercado — tema que merece artigo próprio (e ele está nesta mesma categoria).
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