O cenário-base do mercado para 2026 tem dois números que não combinam: Selic em torno de 12,75% ao ano e PIB crescendo perto de 1,6%. Capital caro e economia andando de lado formam o pano de fundo de tudo o que discutimos neste espaço — da recuperação judicial recorde ao boom dos leilões. Vale entender a engrenagem.
O crédito ficou seletivo, não escasso
Os grandes bancos não fecharam a torneira: mudaram o crivo. Com o custo de captação elevado e o Banco Central alertando para a deterioração da qualidade das carteiras — os ativos problemáticos crescem entre famílias e PMEs, e a inadimplência do crédito rural já passa de 8% —, o funding bancário migrou para quem tem rating, garantia líquida e histórico. A empresa média, intensiva em capital de giro, foi empurrada para fora desse funil.
Quem ocupa o espaço
É nesse vácuo que o crédito privado cresce: securitizadoras, gestoras de special situations, FIDCs e plataformas de antecipação passaram a financiar — com estrutura e garantia — o que o balcão bancário recusa. O spread é maior, mas a régua também é outra: análise caso a caso, lastro operacional verificável e execução desenhada antes do desembolso.
O efeito colateral: ativos estressados em oferta
- Empresas alavancadas a CDI + spread renegociam ou entram em RJ — alimentando o mercado de créditos em reestruturação;
- Credores com caixa pressionado vendem recebíveis judiciais e carteiras vencidas com deságio;
- Execuções de garantia imobiliária lotam os leilões.
O que observar no resto do ano
Três marcadores valem o acompanhamento: a trajetória da inadimplência PJ (que antecede os pedidos de RJ), o ritmo de corte — ou não — da Selic no segundo semestre e o comportamento do crédito rural, hoje o elo mais tensionado da cadeia. Enquanto o custo de capital não ceder de forma sustentada, o ciclo de ativos de situação especial segue abastecido.
A MA7 acompanha esses indicadores na originação diária de oportunidades. Siga a nossa análise por aqui.