O Brasil começou 2026 com 75 milhões de processos pendentes — o menor estoque em seis anos, mas ainda um oceano — e registrou 39,7 milhões de ações novas em 2025. Em qualquer outro mercado, um estoque dessa magnitude de direitos em disputa teria virado classe de ativo há décadas. Está virando agora: o litigation finance saiu da margem e entrou na pauta das gestoras brasileiras.
O tamanho da onda
Consultorias internacionais projetam que o mercado global de financiamento de litígios salte de US$ 25,8 bilhões em 2026 para US$ 41,4 bilhões em 2030 — crescimento médio de 12,5% ao ano. No Brasil, o segmento ainda opera sem regulamentação específica, apoiado na autonomia contratual, mas já conta com mais de 40 gestoras dedicadas a special situations olhando ativamente para teses judiciais e arbitrais.
Como o dinheiro encontra o litígio
Os formatos variam, mas a lógica é uma: um terceiro banca custos do processo — ou antecipa parte do valor em disputa — em troca de participação no resultado. Para a empresa que litiga, o atrativo é duplo: tira despesa jurídica do caixa e transforma um direito ilíquido em recurso disponível hoje. Para quem aporta, o retorno independe de bolsa, juros ou ciclo econômico: depende da tese, do tribunal e do tempo.
Onde estão as teses no Brasil
- Arbitragens empresariais, pela previsibilidade de rito e prazo;
- Disputas societárias e conflitos entre sócios com valor mensurável;
- Ações coletivas de consumo e teses ambientais, impulsionadas pelos grandes desastres da década;
- Créditos contra massas falidas e execuções travadas por falta de fôlego financeiro do credor.
Litígio bom não é o que se ganha no papel. É o que se recebe — no prazo e no valor que a análise previu.
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