Mais de 116 mil imóveis foram a leilão judicial ou extrajudicial no Brasil apenas no primeiro semestre de 2025 — crescimento de 25,1% sobre o mesmo período do ano anterior. E as projeções do setor para 2026 apontam continuidade: juros altos seguem elevando as retomadas bancárias, e a digitalização das plataformas segue ampliando a oferta e o público.
Por que a oferta explodiu
A matemática é direta. Financiamento imobiliário contratado a taxas de dois dígitos, renda das famílias pressionada e inadimplência em alta produzem execuções de alienação fiduciária em volume recorde. O credor fiduciário retoma, leva a leilão, e o estoque cresce. Do lado corporativo, recuperações judiciais e falências despejam galpões, lajes e terrenos no mesmo balcão.
O que o mercado está comprando
- Comercial para retrofit: lajes e prédios defasados em regiões centrais, comprados com desconto para reposicionamento;
- Terrenos para incorporação: landbank a preço de execução, com a incorporadora fazendo a conta do VGV lá na frente;
- Residencial de retomada bancária: o varejo do segmento, puxado pelos leilões de instituições financeiras.
Deságio médio não é sinônimo de barato
O desconto sobre a avaliação — frequentemente de 30% a 50% no segundo leilão — precisa pagar ocupação, dívidas do imóvel, tempo de imissão na posse e custo jurídico. Quando paga, o resultado é excelente; quando não paga, o "negócio da década" vira litígio de cinco anos. A diferença entre um caso e outro se decide antes do lance, na leitura da matrícula e do edital.
Leilão não é promoção. É precificação de risco — e o risco é de quem arremata.
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